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segunda-feira, 24 de junho de 2019

Tenho saudades dos tempos em que ainda acreditava...


- que leccionar significava muito mais que um simples trabalho;

- que a minha voz e as minhas sugestões seriam ouvidas nos gabinetes das direcções, nos conselhos de turma, nas reuniões de departamento, nas reuniões de grupo, entre os meus pares; 

- que os professores teriam sempre uma voz decisória, crítica, imparcial e assertiva;

- que os ministros da pasta e os partidos políticos poderiam alguma vez melhorar a educação sem ter apenas em vista poupar;

- que os sindicatos de professores não teriam apenas um papel paleativo mas sim preventivo

- que as sucessivas reformas educativas serviriam para melhorar a educação no nosso país;

- que a classe docente é igualitária tanto nos direitos como nos deveres e que nunca cairia no conformismo e no mero umbiguismo;

- em concursos de professores justos e equitativos;

- em oportunidades para os mais "jovens" poderem fazer parte da mudança nos centros decisórios; 

- que haveria luz ao fundo do túnel e que tudo iria melhorar depois de tantos anos a ganhar tão pouco, por vezes a não trabalhar sequer, e a estar sempre tão distante de casa.




Houve uma época em que acreditei em tudo o que mencionei em cima. Reconheço que fui ingénuo, mas por instantes acreditei (suponho que é melhor que o niilismo actual das coisas). 




(Arquillect)

segunda-feira, 17 de junho de 2019

Fico à espera das mesmas regalias que oferecem aos médicos para trabalhar fora dos grandes centros urbanos




“As pessoas não têm que almejar ficar ao lado de casa, porque isso é impossível. As pessoas devem almejar ficar colocadas num sítio e saber que se mantêm aí.” 

(Retirado de aqui)


Podem ouvir a entrevista completa: aqui


(RKOI)

sexta-feira, 14 de junho de 2019

Até verti uma lágrima...






(Scorpion Dagger)

Autonomia superior aos 25%



Pela conversa, promete um total desconhecimento sobre o que virá se os "planos" elaborados à pressa dos agrupamentos forem aprovados. Uma "corrida" que já começou com a flexibilidade (aqui). Nunca a conversa da autonomia provou ser especialmente positiva para os professores, porque seria desta vez diferente? Só porque o Filinto e a Ariana assim o desejam? Temo. Temo muito. Sobretudo pelo factor arbitrário, de escola em escola, de director zeloso em director zeloso. Só quem calcorreia muitas escolas por este país se pode sentir assim: temeroso. Especialmente por se concentrar mais poder nas direções. Quem é da casa, por norma, nada teme: sobrevive

Gato escaldado...


(Arquillect)


segunda-feira, 10 de junho de 2019

Aparentemente existem agrupamentos que convocam docentes no dia de feriado...


...para reuniões na semana que antecede as reuniões de avaliação.

...you!!

                                                                                    (Arquillect)




Em nome da flexibilidade? Ou em nome dos agrupamentos?


Para além do ritmo galopante da implementação da flexibilidade curricular (aqui), chegou-me a informação de que alguns agrupamentos, alegadamente através dos seus conselhos pedagógicos, têm autonomia para, no decorrer do ano lectivo (e alguns até mesmo uma semana antes da realização das reuniões de avaliação de final de ano lectivo), alterarem por completo os critérios de avaliação definidos desde o ínicio do ano e "deliberarem" que, para os alunos obterem aprovação em cada disciplina, deverão os desempenhos mínimos de avaliação fixar-se entre os 40% e os 45%.

Aparentemente, muitos agrupamentos sondam os seus professores (por departamentos) antes da deliberação em pedagógico sobre a fixação destas percentagens de desempenho. A minha pergunta é: em nome de quem é que o fazem? Em nome da flexibilidade ou em nome dos agrupamentos?


(Arquillect)

sábado, 8 de junho de 2019

"Querem o melhor dos dois mundos"


Após a divulgação do resumo da reunião (aqui) com as senhoras deputadas do Partido Socialista, Sónia Fertuzinhos e Maria Augusta, ficam aqui algumas ilações deste nefasto processo que vai continuar a prejudicar gravemente os professores. 

O principal problema de muitos deputados (particularmente do PS, PSD e CDS) relativamente à questão dos lesados nos descontos para a Segurança Social é a dificuldade que demonstram em compreender o carácter especial da carreira docente (regulamentado pelo E.C.D). Aparentemente, não percebem a complexidade da carreira docente e o seu funcionamento no terreno.  

Para além disso, percepcionam os horários dos professores como se se tratasse de uma profissão com horário laboral claramente definido e como se as horas marcadas no seu horário fossem as únicas que o professor cumpre. Pior, ainda, é que propalam essa mensagem aos sete ventos, apesar de a mesma não corresponder à verdade. 

"Querem o melhor dos dois mundos" como disse, e bem, a professora Luísa Novo na célebre Comissão que discutiu esta problemática (aqui). O patrão (Ministério da Educação) e os gestores (directores) têm nas suas mãos trabalhadores (professores) que percepcionam como sendo a tempo inteiro quando querem atribuir-lhes trabalho para lá das horas inscritas no seu horário, e como trabalhadores em part-time quando chega a hora de lhes reconhecer os seus direitos laborais. Tudo isto sob a premissa da boa gestão dos recursos. 

Portanto, estes deputados querem que os professores sejam considerados "trabalhadores a tempo parcial" mas não alteram o regime de contrato ou as regras de concurso para serem  efectivamente considerados "trabalhadores a tempo parcial".

Qualquer professor, seja de carreira ou contratado, sabe que não consegue cumprir apenas as horas dedicadas à componente não lectiva, sendo essa mesma componente ultrapassada constantemente em seu prejuízo. Essa situação acaba por ser mais visível nos casos dos horários lectivos incompletos, dado que estes docentes acabam por prestar, na maior parte das vezes, as mesmas funções que os professores com horários completos, com a diferença de que o fazem a "preço de saldo".

Pior disto tudo é que estes deputados estão cientes de que apenas os professores contratados em horário lectivo com pelo menos 12 horas podem cumprir os prazos mínimos de garantia para acesso às prestações sociais de subsídio de desemprego (que são de 360 dias nos 24 meses anteriores). Ora, nos concursos de professores, os intervalos de horário são uma espécie de roleta russa, não sendo possível prever com exactidão o resultado da atribuição horária. 

Em último caso, assistiremos a mais turmas sem professores, desta feita pela rejeição desta tipologia de horários.

Todos estes (e muitos mais) argumentos foram expostos aos diversos grupos parlamentares, sem, no entanto, ter-se verificado qualquer efeito prático para os docentes.


(Game of Thrones)



quinta-feira, 6 de junho de 2019

A flexibilidade entra a ritmo galopante pelas escolas adentro...


...mesmo que se desconheça os efeitos da mesma a longo prazo. Noto cada vez com mais apreensão o regresso daquele sentimento do "salve-se quem puder" entre a classe docente que tem que abraçar obrigatoriamente a mudança, sob pena de vir a ser-se acusado de não se querer que a escola mude. De facto, muitos querem abraçar essa mudança mas a desconfiança é a de que esta venha a empurrar os docentes para um pântano e que possam vir a ser (mais uma vez) culpabilizados se tal mudança falhar. 

Isto foi vísivel num passado ainda traumático quando se implementaram reformas como:

- 2006/2007, através da implementação da ADD trazida pela mão de Maria de Lurdes Rodrigues, com os professores titulares e a reformulação da gestão das escolas; 

- durante o governo de Passos/Crato, onde o silêncio dos professores era insurdecedor, os lugares nas escolas desapareciam fruto das reformas impostas e até existiram professores ávidos e disponíveis para vigilância das Provas realizadas pelos seus próprios pares.

No presente, com a implementação da flexibilidade curricular, ainda de forma muito experimental mas igualmente muito obrigatória, os agrupamentos competem entre si, no intuito de ver quem consegue "esticar" mais a flexibilidade. Fica a sensação de que os docentes mais desatentos às mudanças não parecem estar despertos para as consequências e provável "carga de trabalhos" que pode estar à porta de cada pequena mudança que se debate de forma individual, agrupamento a agrupamento, pelo país fora, nomeadamente:

-nos horários dos professores;

- na organização do trabalho docente;

- no que daí pode advir relativamente às aprendizagens dos alunos.

Vejamos: agora o trabalho interdisciplinar (que já existia mas que surge com um novo e pomposo nome - DAC) tem que ser medido, qualificado e comprovado com grelhas e cruzinhas (consoante o "mood" do agrupamento), com subjacente avaliação e gradual progressão individual do discente (quanto mais, melhor). 

Acresce a isto o facto de que, em muitos agrupamentos, se esteja a discutir a possibilidade de o desempenho mínimo exigido (por disciplina) poder cair até 40%, isto é, esta ser a média que o aluno precise de obter para ter sucesso em determinada disciplina no final do ano. Existe, também, o receio de que se abra hipoteticamente a probabilidade para os directores reivindicarem novamente para si (como num passado recente aqui) o poder de seleccionar e recrutar docentes

Tudo isto a um ritmo galopante, sem sequer solucionar os grandes problemas existentes na escola pública e na profissão docente, podendo eventualmente agravar os que já existem, burocratizando  e asfixiando ainda mais o processo de ensino-aprendizagem sem reparar o mal que os currículos ainda hoje escondem. 

Creio que ninguém se oporá ao princípio subjacente à flexibilidade curricular. O problema reside, isso sim, na sua aplicabilidade e nos constragimentos sentidos hoje em dia nas escolas (sobretudo nos agrupamentos mais "papistas que o Papa"). As reformas levam tempo e é necessário que haja condições para que sejam implementadas (o que não parece ser o caso). Claro que isto são só teorias, mas não é preciso ser bruxo para perceber até onde nos levaram as autonomias no passado...

Auxiliar de memória: aqui


(Arquillect)





segunda-feira, 3 de junho de 2019

Pergunta estúpida para pessoas estúpidas



Já que insistem tanto na realização de exames e em provas de aferição, por que é que as mesmas não são realizadas maioritariamente de forma online?


(Arquillect)



domingo, 2 de junho de 2019

E após a saída da Reserva de Recrutamento 33...


...simplesmente o deserto sem contrato para muitos nos próximos três meses (no mínimo). 

O que vale é que em breve são as manifestações de preferências para "entreter" o pessoal. 


(Scorpion Dagger)

quinta-feira, 16 de maio de 2019

O cartaz sindical tem falta de causas de "indignação"?


Os professores lesados pelas ultrapassagens, professores contratados lesados nos descontos da Segurança Social e os professores das AEC não são causas de indignação suficiente para serem mencionadas no cartaz?

E para aqueles que advogam "ferozmente" que o cartaz "cobre" todas as causas, inquiro-me por que é que não é a primeira vez que isto acontece? Basta ver aqui e aqui



(Plataforma Sindical)

Terá sido o mesmo SNS que te socorreu Santana?




(Neomechanica)

segunda-feira, 13 de maio de 2019

Rui Rio repete incessantemente em entrevistas...


...o regresso subtil da ideia do "fazer mais com menos" originária da governação Passos/Crato. Basta reparar que já repetiu a mesma mensagem aqui. 


(TVI)

Auxiliar de memória: aqui

sábado, 11 de maio de 2019

"Phosga-se"...


...isto foi o Expresso da Meia-Noite de hoje. Pela "qualidade" do painel seleccionado pelo Bernardo (Pinheiros & Monteiros), talvez valha a pena ouvir atentamente Vítor Costa, director-adjunto da Lusa.


(Expresso da Meia-Noite)


O "NIM" do PAN


Num dia em que a palavra de ordem nos discursos proferidos na A.R. foi "consciência", revelou-se muito falta desta. Aparentemente, o PAN é a nova Suíça política no que concerne a decisões. 





(Arquillect)

terça-feira, 7 de maio de 2019

Banda sonora da resolução de uma "crise política"

Já toda a gente tinha percebido que o acordo tinha ido por água abaixo...


...devido aos recuos e "flips" dos termos do acordo propostos pelo PSD e pelo CDS/PP. Naturalmente essas mudanças iriam provocar com que BEPCP fossem obrigados a votar contra e inviabilizar a proposta.


Provavelmente o que vai suceder a seguir será uma troca de acusações entre partidos, ao mais puro estilo infantil, nomeadamente com a direita a fazer-se de vítima e assinalar que o acordo só não segue em frente devido aos chumbos da esquerda. E é assim que vão vender a ideia para a população. É só mais um "back flip" na gíria da ginástica, isto vindo de gente sem coluna vertebral, é obra...

O que provavelmente, não seria esperado era a posição de Mário Nogueira, que alegadamente estava disposto a tudo para conseguir o tempo de serviço, mesmo que isso significasse "entregar" aos partidos de direita o poder para "mexer" nas carreiras dos professores e muito mais. 



Resumindo, aparentemente tanto BE como o PCP acabam por proteger os professores deles próprios no finalCreio que sei agora quanto vale o crachá 942 (aqui)? Tudo.








(Daniel Gebhart de Koekkoek)


sábado, 4 de maio de 2019

Ambiente de cortar à faca (literalmente)


Que mais apropriado do que um tema da série "Game of Thrones" enquanto os partidos políticos lutam pela cadeira do poder? Diria que o "Night King" é o mínimo dos problemas dos professores...


domingo, 28 de abril de 2019

Os "erros" proferidos pela Secretária de Estado da Educação



Chamo a atenção para a publicação do vídeo editado pela Plataforma de Professores Lesados pela Segurança Social relativamente às questões colocadas na Comissão sobre os problema dos descontos dos professores com horário incompleto. Nesse vídeo podemos assistir à argumentação travada pela Secretária de Estado da Educação, onde ficam patentes alguns "erros" de análise.

Vejamos alguns: 

- A S.E. dá o exemplo de que para ter acesso ao subsídio de desemprego são necessários 360 dias de descontos em 2 anos e diz que um "professor com horário de 7 ou mais horas de componente lectiva consegue aceder a todas as prestações sociais porque desconta por ano 120 dias". Ora, ou a senhora S.E. se enganou nas contas ou alguém que me explique como é que 120 + 120 dá 360 dias declarados. Acresce, ainda, que para o regime social de desemprego são necessários 180 dias por ano, pelo que, no exemplo proferido, com os 120 dias um professor também não tem acesso a tal;

- Quanto à questão da componente não lectiva, a S.E., provavelmente desconhecendo a dinâmica da profissão docente, dá a entender que um docente com componente lectiva incompleta não ocupa mais do que as correspondentes horas proporcionais de componente não lectiva. No caso das propaladas 7 horas, as correspondentes 4,1 horas de componente não lectiva; ou seja, a senhora S.E está convencida de que as parcas 4 horas chegam para o desenvolvimento das duas vertentes que compõem a componente não lectiva: o trabalho a nível individual (preparação de aulas e avaliação do processo ensino-aprendizagem, ...) e a do trabalho a nível de estabelecimento (nomeadamente todas as que tenham em vista o Projecto Educativo da Escola);

- Outra questão é que a S.E. refere os mínimos para aceder a cada uma das prestações sociais, isto se o professor fosse colocado num horário (apesar de incompleto) anual, o que maioritariamente não se verifica;

- outro "erro" da S.E. é que a mesma alega que "seria injusto" que um professor com horário incompleto tivesse direito a receber o mesmo que um professor com horário superior. Mas, em nenhum momento tal foi exigido pelos professores nesta situação;

- por último, é de salientar que a senhora S.E., jurista de formação, não aflorou a questão da ilegalidade de transformar os contratos dos professores com componente lectiva incompleta em horários a tempo parcial. Pasme-se. 




Resumindo: que indigno é quando os próprios actores institucionais (neste caso, a S.E.) diminuem a importância, em primeiro lugar dos horários incompletos, e em segundo lugar dos profissionais que aceitam esses horários para suprir reais necessidades do sistema a troco de precariedade. É graças a esses docente que muitos alunos têm aulas e o sistema funciona. O que acontece ao sistema se estes desistirem (por notória falta de condições) de concorrer a esta tipologia de intervalo de horários?


sábado, 27 de abril de 2019

Guerra dos Tronos versão Espanhola



"Casado no lo ha hecho únicamente por utilitarismo, sino, también, por convencimiento y afinidad ideológica. "El votante de Vox pedía al PP lo que yo estoy ofreciendo en el PP", ha subrayado. "Son las elecciones más importantes y tenemos que ser generosos. Y, además, tenemos más experiencia", ha dicho. Es decir, les ha pedido a los simpatizantes de la formación de derecha radical que voten al PP para que haga lo que propone Vox (entre muchas otras cosas), pero gestionando bien el país"



(Mike Wrobel)

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